Itamaraty pede atuação da ONU no Afeganistão e alerta para situação das mulheres
O governo brasileiro se pronunciou nesta segunda-feira, 16, sobre a tomada do Afeganistão pelo Talibã. O Ministério das Relações Exteriores expressou “profunda preocupação com a deterioração da situação no país e as graves violações dos direitos humanos” e manifestou apreensão com o aumento da instabilidade na Ásia Central e potencial impacto em outras regiões”. Em nota, o Itamaraty disse esperar “um rápido engajamento por parte das Nações Unidas para o estabelecimento de canais de diálogo e que o Conselho de Segurança possa atuar para assegurar a paz na região, sendo essencial assegurar a atuação plena da Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão”. A pasta afirmou ainda que o Brasil “conclama os atores envolvidos a proteger os civis, respeitar o Direito Internacional Humanitário, garantir o acesso desimpedido da ajuda humanitária e respeitar os direitos fundamentais do povo afegão, em especial de mulheres e meninas”.
Segundo a chancelaria brasileira, é “necessário preservar os ganhos obtidos nas últimas décadas em matéria de proteção de direitos humanos, fortalecimento da democracia e desenvolvimento socioeconômico no Afeganistão”. Com a ascensão do Talibã, o temor agora entre as autoridades e especialistas é de um aumento do extremismo religioso em outras partes do mundo. O presidente do Instituto de Prevenção e Combate à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento ao Terrorismo, Bernardo Mota, diz que pode haver uma escalada de grupos radicais. “Há possíveis efeitos sobre outros grupos extremistas ou que tenham como causa o extremismo político”, disse.
O professor de Relações Internacionais da Faap, Carlos Gustavo Poggio, acredita que o erro do governo Biden não está na retirada das tropas, mas sim na forma com que a operação foi feita. “A decisão é uma coisa, outra coisa é a execução, que mostra falhas de inteligência muito graves. Os Estados Unidos depois de 20 anos treinando tropas afegãs foi incapaz de avaliar a verdadeira capacidade dessas tropas, do Exército afegão, que não fez absolutamente nada”, pontua. O Itamaraty informou que não há registros de brasileiros residindo ou em trânsito no Afeganistão.
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*Com informações da repórter Camila Yunes
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