Na Copa de 1950, a seleção brasileira contou com a primeira torcida organizada do país
Jayme Rodrigues de Carvalho era um flamenguista que comandava a torcida do clube. Um grupo capitaneado pelo funcionário público, nascido na Bahia, morador do Rio de Janeiro, levou, pela primeira vez a um estádio, camisas, faixas e bandeiras. Foi dele também a ideia de que músicas fossem cantadas nas arquibancadas durante as partidas de futebol. As canções, consideradas de qualidade duvidosa, eram chamadas de forma pejorativa por intelectuais de “charangas”. Em 1950, antes do início da Copa, em 24 de junho, a “charanga do Jayme” já era conhecida no Rio de Janeiro e ele foi convidado para chefiar a “Torcida Organizada do Brasil no Campeonato do Mundo”.
Com o apoio da “Dragão dos Tecidos”, do empresário Lisandro Amaral, surgiu a iniciativa de organizar a torcida para as partidas da seleção. A loja cederia camisas amarelas e verdes e o objetivo era evocar o patriotismo. O técnico da equipe nacional, Flávio Costa, gostou da ideia: “Julgo a iniciativa da formação da ‘Torcida Organizada’ utilíssima, pois o grupo chefiado por Jayme de Carvalho poderá disciplinar os que irão assistir aos nossos embates. Os assistentes geralmente não vão para os campos de futebol para torcer, e sim como críticos. Talvez seja da época: todos entendem de técnica futebolística. Cada qual tem o seu próprio scratch e o que procuram com avidez é defender esse mesmo scratch.”
Não era incomum que o técnico brasileiro reclamasse da hostilidade de torcedores durante os treinos: “A torcida atual, que estamos encontrando nos treinos, está prejudicando os jogadores, que necessitam de calma para aprimorarem seu físico e sua técnica. Já vê que a iniciativa da ‘Dragão dos Tecidos’ é muito útil e causará boa impressão pelo colorido que emprestará ao espetáculo, aquele grupo de rapazes a nos incentivar.”
A célebre cantoria com a música “Touradas em Madrid”, nas arquibancadas do Maracanã, durante a goleada do Brasil sobre a Espanha por 6 a 1, na Copa, surgiu justamente pela iniciativa de Jayme. “(…) Jayme de Carvalho, o chefe da torcida brasileira organizada, e Lisandro Amaral, sócio do Dragão dos Tecidos, mostram as camisas, uma verde e outra amarela, que será [sic] o uniforme da torcida do Brasil!…As camisas podem ser compradas no Dragão dos Tecidos pelo preço de custo! (…),” explicou a Revista do Rádio.
Foi uma festa que, infelizmente, não se repetiu na partida seguinte, contra o Uruguai, em 16 de julho de 1950.
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