A derrota brasileira para a Holanda, em 1974, adiou o sonho do tetracampeonato
Na coluna de ontem, relembrei a fantástica Holanda de 1974. A seleção, treinada por Rinus Michels, foi a responsável por eliminar o Brasil, tricampeão do mundo, em 1970. O acanhado Westfalenstadion, em Dortmund, recebeu a partida. Apesar de ser uma realidade, o futebol holandês ainda era desconhecido de muita gente. O próprio técnico Zagallo sabia pouco sobre os jogadores adversários. Quando questionado sobre as qualidades de Cruyff, o melhor atleta adversário, o treinador brasileiro perguntava: “Quem, o Crush?”. Crush era um refrigerante de laranja da época.
HOLANDA 2 × 0 BRASIL – Dortmund – 03.07.74
Brasil: Leão, Zé Maria, Luís Pereira, Marinho Peres, Marinho Chagas, Jairzinho, Rivellino, Paulo César (Mirandinha), Valdomiro, Carpeggiani e Dirceu.
Holanda: Jongbloed, Suurbier, Haan, Rijsbergen, Krol, Jansen, Neeskens (Israel), Van Hanegem, Rep, Cruyff e Rensenbrink.
Árbitro: Tschenscher (Alemanha).
Gols: Neeskens (5) e Cruyff (20) no segundo tempo.
O primeiro tempo foi equilibrado. Leão fez uma defesa milagrosa em um chute de Cruyff. Jairzinho e Paulo César perderam chances de colocar a bola nas redes de Jan Jongbloed, goleiro que usava lentes de contato. Mas, no segundo tempo, a Holanda dominou o Brasil. Aos 4 minutos, Neeskens acertou um chute e a bola encobriu Leão. Marinho Peres, que depois foi colega de Neeskens no Barcelona, lembra que o jogador holandês confessou ter errado o chute e pegou na bola “de canela”.
Aos 20 minutos, em uma jogada que começou irregular por causa de um impedimento, Cruyff aproveitou um cruzamento da esquerda e marcou o segundo gol. Os brasileiros perderam o controle do jogo. Luís Pereira foi expulso por causa de uma entrada violenta em Neeskens. Na saída, ele ainda bateu boca com torcedores que estavam na arquibancada. O Brasil não perdia um jogo de Copa desde o confronto com Portugal, em 1966. Eram 11 jogos de invencibilidade: seis em 1970 e cinco em 1974. O time de Zagallo teve de se contentar com a disputa pelo terceiro lugar contra a Polônia, em 6 de julho. Entretanto, a equipe foi derrotada por 1 a 0.
Abaixo, ouça os gols do duelo entre Brasil e Holanda com a narração de Osmar Santos
[jp-related-posts ids=”1832923,1832001″]
continue lendo
Thiago Uberreich
Zuenir Ventura era apaixonado pelo Fluminense, assim como Nelson Rodrigues e era um observador social
O mestre do jornalismo e imortal da ABL faleceu nesta terça-feira aos noventa e cinco anos
- Em 1982, quem comprasse um vídeo cassete da marca Philco, ganhava uma fita com um documentário sobre as Copas Thiago Uberreich · há 2 dias
- ‘Repórter da cabeça aos pés’: Helvidio Mattos lança livro com bastidores de grandes reportagens Thiago Uberreich · há 3 dias
- Entorno da atual Avenida Tiradentes abrigou os primeiros campos de futebol de São Paulo Thiago Uberreich · há 6 dias
- A troca de concentração da seleção durante a Copa de 1950 não se deu antes de Brasil e Uruguai como, por décadas, relataram os jogadores Thiago Uberreich · há 7 dias