Venezuela rejeita presença do Comando Sul dos EUA na Guiana e manda alerta: ‘Ameaça a zona de paz’
O presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, criticou, nesta quarta-feira 5, o ‘sinal verde’ dado pela Guina ao Comando Sul dos Estados Unidos – um comando militar – em Essequibo. O Executivo de Nicolás Maduro afirmou que a “atitude imprudente” de Georgetown abre ao “poder imperial” a “possibilidade de instalação de bases militares”, com o que está “ameaçando a zona de paz que se delineou nesta região”. “A Guiana ataca de forma imprudente o direito internacional, realizando ações que agravam a controvérsia territorial e se somam à sua conduta ilegal de conceder direitos de exploração petrolífera à (americana) ExxonMobil em um mar pendente de delimitação com a Venezuela”, ressaltou. Em comunicado, o Executivo venezuelano condenou as recentes declarações de Ifaan Ali, presidente guianense, que destacou que as Forças de Defesa da Guiana estão “em alerta máximo” e em contato com os seus homólogos militares de outros países, incluindo o Comando Sul. Além disso, reiterou que Georgetown “mantém uma ocupação de facto” no território em questão e uma “disputa territorial com a Venezuela”, que deve “ser resolvida através do Acordo de Genebra de 1966, único instrumento jurídico válido entre as partes”.
Maduro lançou ontem um plano de ação para a região de Essequibo que inclui a concessão de licenças para exploração de petróleo e destacamentos militares em cidades próximas da área em disputa, embora, por enquanto, não tenha anunciado uma incursão na área. O presidente da Guiana disse hoje que este plano de ação representa “uma ameaça iminente” à sua integridade territorial e à paz mundial, razão pela qual anunciou “medidas de precaução” para proteger o país. O primeiro passo será levar hoje o assunto ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para que esse órgão possa adotar “medidas adequadas”, segundo antecipou em comunicado. Ali indicou ainda que conversou com o secretário-geral da ONU, António Guterres, e com vários líderes para alertar sobre “estes acontecimentos perigosos e as ações desesperadas do presidente Maduro”.
A Venezuela insiste que este plano de ação é desenhado com base no resultado do referendo não vinculativo de domingo, que propôs a anexação do território ao mapa nacional. Essequibo é um território de quase 160 mil quilômetros quadrados disputados pelos dois países. A reivindicação da Venezuela intensificou desde a descoberta de petróleo em Essequibo pela ExxonMobil em 2015. No mês passado, a Guiana anunciou outro importante descobrimento que acrescenta, pelo menos, 10 bilhões de barris às reservas do país, tornando-as maiores que as do Kuwait e dos Emirados Árabes Unidos. Desta forma, a Guiana possui as maiores reservas de petróleo per capta do mundo e a Venezuela, as maiores reservas já provadas do planeta.
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