Sob sombra de Trump, premiê dinarmaquesa diz que Europa pode se defender melhor
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, avaliou nesta quarta-feira (28) que os países europeus podem “fazer mais” por sua defesa, embora a Europa tenha “dificuldade” atualmente para se defender sem os Estados Unidos.
Copenhague está no centro das tensões entre EUA e Europa devido à intenção de Donald Trump de adquirir a Groenlândia, território ártico dinamarquês, alegando motivos de segurança nacional.
“Seria extremamente difícil para a Europa se defender atualmente porque, em termos de inteligência, armas nucleares, etc., dependemos dos Estados Unidos”, disse Frederiksen na universidade Sciences Po, em Paris.
“Mas acredito que somos capazes de fazer mais do que se diz publicamente neste momento”, acrescentou a primeira-ministra dinamarquesa.
As declarações ocorreram horas antes de uma reunião no Palácio do Eliseu, em Paris, entre o presidente francês, Emmanuel Macron, Frederiksen e o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen.
Macron reiterou a “solidariedade” da França e seu apego à “integridade territorial” da Dinamarca, alertando que a situação na Groenlândia é “um chamado ao despertar estratégico para toda a Europa”.
O presidente francês, que usava óculos escuros por um problema ocular, citou como elementos desse “despertar” a soberania europeia, a segurança do Ártico, o combate às ingerências estrangeiras, a desinformação e a mudança climática, entre outros.
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou na segunda-feira que era ilusório pensar que os europeus poderiam se defender sozinhos, sem o apoio dos Estados Unidos, principal potência militar mundial.
Na cúpula de Haia, em 2025, e sob pressão de Trump, os aliados da Otan se comprometeram a elevar seus gastos com defesa e segurança para 5% do PIB após décadas de poucos investimentos da maioria dos países europeus, que confiavam na proteção dos Estados Unidos.
“Cometemos um enorme erro ao reduzir nossos gastos com defesa” no passado, insistiu Frederiksen no Sciences Po, em um momento em que os Estados Unidos questionam o vínculo transatlântico como existia até agora.
“O mais importante a fazer é nos rearmarmos”, e “não para 2035, como decidiu a Otan (…) Lamento dizer que isso seria tarde demais”, sublinhou a primeira-ministra dinamarquesa.
*Com AFP
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