Com militares condenados, comandantes das forças participam de ato em defesa da democracia
Integrantes do alto comando das Forças Armadas participaram, uniformizados, nesta quinta-feira (8), de cerimônia em memória aos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. O evento ocorreu em um contexto em que generais e militares de diversas patentes já foram condenados por envolvimento nos atos que tentaram subverter a ordem democrática.
Os comandantes presentes ouviram da plateia vaias e coros de “sem anistia” e acompanharam discursos de autoridades que foram enfáticos em rejeitar qualquer medida que atenue as penas dos condenados.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) declarou durante a solenidade: “Justiça não se divide, justiça não se fraciona. Aqueles que romperam, cometeram um crime, devem sofrer o rigor da justiça e o peso da história”.
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, prestes a deixar o governo, também se manifestou contra iniciativas de anistia. “E aqui é necessário ressaltar que os crimes cometidos contra o Estado democrático de direito são imprescritíveis e impassíveis de indulto, graça ou anistia, sobretudo quando envolvem grupos civis ou militares”, afirmou.
Em discurso lido, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez referência ao período da ditadura militar e à tortura, defendendo o julgamento dos responsáveis pelos atos de 2023 pelo Supremo Tribunal Federal (STF). “Todos foram julgados com transparência e imparcialidade”, disse.
Balanço das condenações
Três anos após a invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, a Primeira Turma do STF já condenou mais de 800 acusados de participação nos atos que tentaram desestabilizar a democracia no final do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Os números, apurados pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes– relator dos processos sobre o caso – até meados de dezembro de 2025, ainda podem ser atualizados.
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Bruno Pinheiro
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