Com MDB e PSDB ‘completamente rachados’, terceira via fica ‘inviável’, afirma Kajuru
Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em tramitação no Senado Federal pode acabar com a reeleição para prefeitos, governadores e para o cargo de presidente da República. De autoria do senador Jorge Kajuru (Podemos), a matéria estabelece mandato de cinco anos no Executivo e recebe apoio de 29 senadores. Agora, a expectativa é de aprovação ainda em 2022, antes das eleições de outubro. “Continuo otimista. Penso que irá para as mãos do presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Davi Alcolumbre. Ainda antes da eleição conseguirá aprovar essa PEC e ela vai valer para as eleições a partir de 2024. Claro que não é para essa eleição e nem pode, seria contra qualquer princípio e lei”, mencionou o parlamentar, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan News, nesta segunda-feira, 16.
Kajuru, que recebeu apoio do senador Eduardo Girão (Podemos) para coleta das assinaturas necessárias, afirma que o clima político na Casa é diferente de 2019, quando apresentou a primeira proposta de emenda sobre o tema. “Em 2019 senti dificuldade e não via dentro do senado clima favorável para votação. Já agora, nesse ano de 2022, quando voltei a procurar os senadores em uma semana obtive 12 assinaturas. Depois, o senador Eduardo Girão entrou para buscar as assinaturas, eu consegui 16 e ele 13. Se a gente quisesse mais [assinaturas] com certeza conseguiríamos. […] O ambiente é totalmente diferente. Muitos outros senadores assinariam e vai ser pela primeira vez, penso eu, até na Câmara, de um projeto histórico em função do que provoca uma reeleição de mal neste país”, acrescentou o parlamentar, que destaca apoio do presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco, à matéria, protocolada na última sexta na Casa.
Questionado sobre as eleições deste ano, Jorge Kajuru falou sobre uma “completa racha” no Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e no Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que “desestabiliza e inviabiliza a terceira via”. Para ele, a única alternativa para acabar com a polarização Lula-Bolsonaro seria uma sinergia entre os partidos, o que não acontece. “Fico muito preocupado com a séria, correta, ética senadora Simone Tebet. Enquanto ela trabalha de um lado, outros senadores experientes desejam emplacar Lula e ponto final. No PSDB a gente também vê racha, Tasso Jereissati de um lado, Aécio Neves de outro, João Doria de outro. Portanto, esse clima para mim desestabiliza e inviabiliza a terceira via. Fica o Ciro sozinho, a sintonia que deveria haver nessa terceira via para uma única chance, que já é difícil, de terminar a polarização entre Lula e o presidente seria essa sintonia que não existe, não vai existir. Vai continuar Ciro Gomes com toda dificuldade dele, embora seja o mais preparado na minha opinião, e vai para polarização.”
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