Ricardo Salles afirma que assumirá Ministério do Meio Ambiente mesmo com condenação por improbidade
O futuro ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou à Jovem Pan nesta sexta-feira (21) que integrará o governo do presidente eleito Jair Bolsonaro mesmo com a condenação por improbidade administrativa sentenciada na quarta (19) pelo juiz Fausto José Martins Seabra, da 3ª Vara da Fazenda Pública do Tribunal de Justiça de São Paulo.
A ação acusa Salles de ter alterado um “plano de manejo” de área de proteção ambiental da Várzea do Rio Tietê para beneficiar indústrias de mineração, enquanto comandou a Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo no governo de Geraldo Alckmin (PSDB). Com isso, o futuro ministro teve seus direitos políticos cassados por três anos.
“O presidente [eleito] entendeu que esse processo e a decisão são muito mais um combate político-ideológico contra a postura que eu adotei na Secretaria do que qualquer ilegalidade formal, tanto que a própria sentença reconhece todos esses pontos, ou seja, que não há crime, que não há vantagem pessoal da minha parte, que não há dano”, afirmou.
Segundo Salles, em conversa, Bolsonaro teria lhe dito: “Se é problema ideológico, fui eleito para adotar essa posição [em relação ao ambiente]”. E ainda teria completado: “Não será impedimento [para assumir a pasta]”. Para o novo ministro, “não tem nenhum sentido deixar de lado essa concepção de ambiente com desenvolvimento econômico”.
Condenação
Na sentença de improbidade administrativa, o magistrado suspendeu os direitos políticos de Salles por três anos e ele ainda deverá pagar multa equivalente a dez vezes a remuneração recebida como chefe da pasta paulista. O juiz também também proibiu o futuro ministro de realizar contratos – o que inclui trabalhar – com o Poder Público.
A sentença de quarta-feira ainda proíbe o futuro ministro de receber benefícios e incentivos fiscais e de crédito, direta ou indiretamente, também pelo período de três anos. Essas mesmas medidas, assim como a multa, também se aplicam à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), envolvida e condenada no mesmo caso.
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