Dino manda PF investigar cemitérios ligados ao Master, mas veta apuração sobre Mendonça
O ministro Flávio Dino, do STF, determinou nesta quinta-feira (17) que a Polícia Federal investigue operações envolvendo o Banco Master e concessionárias de cemitérios de São Paulo, mas proibiu que a apuração avance diretamente sobre o ministro André Mendonça.
A investigação mira relações financeiras e societárias entre o banco de Daniel Vorcaro, empresas do setor funerário e eventuais agentes públicos.
O caso envolve R$ 78 milhões em financiamentos concedidos pelo Master à Cemitérios e Crematórios SP, concessionária ligada ao Grupo Maya. As ações da empresa foram oferecidas como garantia das operações e ficaram vinculadas a uma estrutura financeira relacionada ao conglomerado do banqueiro.
A apuração ganhou dimensão no STF porque Vorcaro se reuniu com Mendonça em 14 de março de 2025, no mesmo dia em que o plenário virtual começou a analisar medidas sobre preços e fiscalização dos serviços funerários de São Paulo.
No dia seguinte ao encontro, Mendonça pediu vista e suspendeu o julgamento. Quando devolveu o processo, abriu divergência contra medidas adotadas por Dino.
O ministro também apontou outras conexões. Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, integrou o conselho de uma concessionária do grupo Cortel, enquanto Alexandre Mendonça, irmão do ministro do STF, atua na SP Regula, agência municipal responsável pela fiscalização das concessões funerárias.
Dino pediu ainda à CVM informações sobre relações entre fundos de investimento e as concessionárias do setor.
Apesar dos elementos, Dino não atribuiu irregularidade a Mendonça. Na decisão desta quinta, determinou que qualquer fato que eventualmente alcance o ministro seja submetido ao rito próprio do Supremo, impedindo a PF de investigá-lo diretamente dentro desse procedimento.
A decisão mantém aberta a apuração sobre o núcleo empresarial do caso Master, mas separa essa investigação dos questionamentos sobre a conduta de Mendonça.
O que diz a prefeitura de São Paulo
Após a publicação deste texto, a administração da capital paulista entrou em contato com a coluna. Leia a nota na íntegra:
A SP Regula informa que relações financeiras mantidas pelas concessionárias de serviços funerários na cidade de São Paulo com bancos ou fundos privados não configuram, por si, qualquer irregularidade contratual. A capacidade econômico-financeira das empresas é acompanhada permanentemente, e os contratos são fiscalizados de forma contínua e regular. Sobre a intimação, a Procuradoria Geral do Município (PGM) informa que o Município foi notificado e está analisando a situação.
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