Adolescentes envolvidos em estupro coletivo no RJ irão responder pelo mesmo crime contra outra garota
Uma nova investigação conduzida pela Polícia Civil, através do 12ª DP (Copacabana), concluiu que uma outra jovem em agosto de 2023, em Botafogo, Zona Sul do Rio, também foi estuprada por dois dos cinco adolescentes acusados do mesmo crime em janeiro de 2026, em Copacabana. A polícia solicitou à Justiça a busca e apreensão de ambos, que na época dos fatos tinham 14 e 17 anos, e eles irão responder por fato análogo a estupro coletivo qualificado, já que a vítima também era menor de idade. Um outro jovem, Gabriel Oliveira Palmieri, de 24 anos, foi indiciado pelo crime.
O fato ocorreu em 22 de agosto de 2023, na Rua São Clemente, em Botafogo, na residência de um dos envolvidos no crime, que na época tinha 17 anos. Segundo a vítima, ela foi atraída ao local pelo outro adolescente, de 14 anos, para um encontro. De acordo com o depoimento da mãe da menor, prestado logo após a divulgação do episódio de Copacabana, após ir para o quarto com o menor, a jovem foi coagida a permitir a entrada dos outros dois acusados. Ainda segundo o relato, a vítima foi então submetida, por cerca de uma hora e meia, a sexo forçado com os três jovens e foi agredida com tapas no rosto e socos na costela. Após o fato, o vídeo com as filmagens ainda teria sido divulgado, como forma de constrangimento.
“Entendemos que a dinâmica é muito semelhante ao fato ocorrido esse ano em Copacabana, quando o mesmo adolescente foi o responsável por atrair a vítima, e o relato da adolescente é muito consistente, existindo a prova de materialidade. Temos fotografias das lesões, tiradas na época do fato, e mensagens de telefone posteriores ao caso, que confirmam os fatos. Pelos dois estarem envolvidos em um crime semelhante recente, pedimos a busca e apreensão. Já em relação ao Gabriel, pela ausência de contemporaneidade, entendemos que cabe medidas diversas da prisão e ele foi indiciado pelo crime de estupro coletivo”, explicou Ângelo Lages, delegado responsável pelas investigações.
O Ministério Público já se manifestou favorável ao pedido de busca e apreensão dos jovens. O processo foi distribuído agora para a Vara da Infância e da Juventude. Já Gabriel foi indiciado por estupro coletivo qualificado e a polícia solicitou medidas cautelares diversas da prisão, com proibição de aproximação da vítima, devendo o investigado manter distância mínima de 100 metros; proibição de manter contato com a vítima por qualquer meio; e comparecimento periódico em juízo. Neste caso, um promotor da vara criminal ainda irá se manifestar sobre a conclusão do inquérito e os pedidos da polícia.
Ao ser preso, um dos acusados que atualmente é maior de idade foi questionado pela polícia sobre o crime em 2023, mas ficou em silêncio. O mesmo ocorreu com o adolescente menor de idade, que ficou calado diante dos questionamentos. Já Gabriel compareceu acompanhado de advogada e negou participação nos fatos, embora tenha confirmado conhecer os outros dois jovens e frequentar a casa de um deles.
Menor já cumpre medida socioeducativa
Em maio, a Vara da Infância e da Juventude da Capital já havia determinado a internação do adolescente menor envolvido no caso de Copacabana. A decisão levou em conta a gravidade do crime e a violência praticada contra a vítima, uma jovem de 17 anos. Segundo a sentença, o adolescente teria planejado uma emboscada contra a vítima, com quem mantinha um relacionamento afetivo. Ele foi submetido à medida de internação, sem possibilidade de sair para atividades externas por um período inicial de seis meses. Além do menor, outros 4 homens adultos também são investigados por participação no crime.
A decisão foi assinada pela juíza Vanessa Cavalieri, que destacou a gravidade da conduta e a necessidade de uma medida mais rígida, tanto para a responsabilização quanto para a tentativa de recuperação do jovem. Outros quatro homens seguem presos e respondem na Justiça pelo mesmo crime: estupro coletivo qualificado (cometido em concurso de pessoas) e cárcere privado.
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David de Tarso
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