Contestado, Félix fez defesas milagrosas na Copa de 1970
Depois do apito final do árbitro no Estádio Azteca, na Cidade do México, Félix chorava sem parar e se recusava a entregar a camisa dele aos torcedores. Horas mais tarde, o goleiro ficou ainda mais emocionado ao falar com uma das filhas pelo telefone. O jogador, agora tricampeão do mundo, era um heroi nacional. Apelidado de “papel”, ele superou às críticas e mostrou que tinha condições de ser o titular na Copa. Naquele inesquecível 21 de junho de 1970, o Brasil venceu a Itália por 4 a 1, gols de Pelé, Gérson, Jairzinho e Carlos Alberto Torres.
Félix Mielli Venerando (1937-2012) era o mais velho daquela seleção. Com 1,78 m de altura e 68 quilos, ele teve de brigar pela posição com Ado, do Corinthians. Contestado e muitas vezes execrado pela imprensa e pela torcida, fechou o gol brasileiro no duelo contra a Inglaterra, pela segunda rodada da fase de grupos. Depois de um cruzamento da direita, Francis Lee cabeceou à queima-roupa e o goleiro fez uma boa defesa, em dois tempos. Mas o jogador inglês, na expectativa de pegar o rebote, que não houve, chutou o rosto do brasileiro: foi uma agressão covarde. Félix também operou uma defesa milagrosa na semifinal, diante do Uruguai, em Guadalajara, depois de uma cabeçada à queima roupa de Cubilla.
O camisa 1 da seleção tinha o respeito dos companheiros e do treinador brasileiro. No livro Lições da Copa, escrito por Mário Jorge Lobo Zagallo, o técnico do tricampeonato exaltou Félix: “(…) O Félix, não houve quem deixasse de ver isto, fez defesa sensacionais, impressionantes, magistrais! Algumas pareceram até milagres. Um gol ou outro, em que se convertessem quaisquer daquelas suas defesas inconcebíveis, talvez nos fizesse subir ao Calvário. Em certos momentos psicologicamente decisivos, quando o placar pendia para nós com uma diferença mínima, como no prélio contra o Uruguai, a presença de Félix foi como um suporte inquebrantável. (…) Tinha moral, tinha experiência, tinha presença e tinha jogo. (…).” Félix vestiu as camisas do Juventus, da Portuguesa de Desportos e do Fluminense. Ele merece estar na galeria de honra do futebol nacional.
continue lendo
Thiago Uberreich
Messi e Mbappé brigam pela artilharia da Copa, mas recorde de 1958 dificilmente será batido
Cada jogador marcou oito gols neste mundial e o duelo continua no fim de semana
- Com jogo bruto e genialidade de Messi, a Argentina chega à final de novo e com mais uma virada histórica Thiago Uberreich · há 2 meses
- Duelo entre Argentina e Inglaterra na Copa vai além da ‘mão de Deus’ de Maradona Thiago Uberreich · há 2 meses
- A França de 2026 entra para ‘grupo seleto’ das melhores seleções que não foram campeãs Thiago Uberreich · há 2 meses
- França busca hoje recordes do Brasil e tenta superar a Espanha, um adversário incômodo Thiago Uberreich · há 2 meses