Crise envolvendo o Palmeiras quase tirou Paulo Machado de Carvalho da Copa de 62
Faltando pouco mais de dois meses para a estreia da seleção na Copa de 1962, no Chile, em maio, o futebol brasileiro mergulhou em uma crise inusitada que provocou um mal estar entre o Conselho Nacional de Desportos e o Palmeiras. Tudo começou quando o príncipe Philip, duque de Edimburgo, marido da rainha Elizabeth II, da Inglaterra, anunciou uma visita ao Brasil para março daquele ano.
O representante da monarquia britânica queria assistir a um jogo com o Rei Pelé. A Federação Paulista de Futebol marcou então um amistoso entre Santos e Palmeiras para o dia 18 de março. O problema é que na véspera seria disputada a decisão do Rio São Paulo entre o time alviverde e o Botafogo do Rio de Janeiro. Uma lei do CND determinava que um clube só poderia voltar a campo em um intervalo de 72 horas entre as partidas. Se o Palmeiras jogasse o amistoso, corria o risco de ser punido por 60 dias. O chefe da delegação brasileira, Paulo Machado de Carvalho, defendeu então que a final do Rio São Paulo fosse adiada, mas o presidente da CBD (atual CBF), João Havelange, não aceitou. Outros cartolas entraram na jogada e propuseram alternativas para que o impasse fosse superado.
Depois de perder a final para o Botafogo por 3 a 1, no Maracanã, o time de Palestra Itália participou do amistoso no Pacaembu, em São Paulo, no dia seguinte. O Santos venceu o duelo por 5 a 3, com destaque, claro, para Pelé, que balançou as redes duas vezes e arrancou aplausos do príncipe Philip.
O CND anunciou então a suspensão do Palmeiras por dois meses. O jornal O Globo, de 20 de março de 1962, trouxe a manchete: “Crise no futebol depois da punição do Palmeiras”. A publicação relatou as ameaças feitas por Paulo Machado de Carvalho: “Imediatamente, Paulo Machado de Carvalho declarou que estava solidário ao Palmeiras, entregando a chefia da delegação e a vice-presidência da entidade [CBD] a João Havelange, dizendo-se também suspenso por 60 dias, não podendo mais trabalhar pelo ‘scratch’.” No mesmo dia do anúncio da punição, foi divulgada a lista definitiva dos convocados para a Copa.
Em meio às ameaças de Paulo Machado de Carvalho de não viajar ao Chile, o clima ficou insuportável quando clubes cogitaram não liberar jogadores para a seleção. Entretanto, depois de muito barulho e pressão, a cartolagem de São Paulo conseguiu uma vitória parcial, considerada satisfatória. O Conselho Nacional de Desportos abrandou a pena do Palmeiras para trinta dias e tudo acabou sendo esquecido.
Para o bem do futebol brasileiro, Paulo Machado de Carvalho continuou na seleção que conquistou, no Chile, o bicampeonato mundial de futebol.
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Thiago Uberreich
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