Ainda bem que todo mundo está magro de novo
Há algumas semanas, estive em um evento de uma tradicional marca de moda e, como de costume, encontrei alguns rostos familiares por lá. Bom, na verdade, nem tão familiares assim. Percebi um novo padrão: todos estavam muito mais magros do que da última vez que os vi. Um efeito que já tinha me impactado pelo Instagram, mas foi muito mais chocante na vida real. O motivo era óbvio: as famosas e as populares canetas emagrecedoras.
Entre um papo paralelo e outro, comento sobre meu espanto ao perceber o novo padrão com uma das convidadas e ela prontamente me responde: “Ainda bem que todo mundo está magro de novo!” Um pouco em choque, eu percebo: ao terminar a frase com “de novo”, ela demonstra que está voltando para um lugar de conforto, no qual na verdade, a moda passou a maior parte de sua história.
O papo sobre aceitação, body positive e diversidade começou recentemente, mas parece que já chegou aos seus últimos dias. Toda essa discussão veio de um movimento maior: a descentralização dos canais de comunicação e a ascensão de comunicadores paralelos, que tiraram o padrão de beleza das capas de revista e das telas da TV para trazê-lo para um contexto bem mais realista.
Ver corpos reais sendo compartilhados não só foi libertador para muita gente como causou um impacto real na indústria. Modelos plus size e roupas de todos os tamanhos passaram a se tornar uma exigência básica.

A modelo Ashley Graham foi uma das primeiras a promover a discussão sobre corpos nas redes │Foto: Reprodução/Instagram
Mas, com o tempo, as influenciadoras também alcançaram o status de celebridades. Também passaram a representar o inalcançável, inclusive quando o inalcançável passou a ser o próprio corpo. Parece que ver tanta gente real cansou e já está na lista “out” de 2026.
A chegada das canetinhas emagrecedoras foi outro componente crucial para a redução drástica dos números na balança. E mais do que isso: elas representam um desejo de status estético e também monetário. Se você não é magra, significa que também não tem dinheiro para comprá-las – e ter dinheiro é tão importante quanto ser magra no universo fashion.
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