Ata do Copom reconhece processo inflacionário
Quem achou que a mudança de diretoria do Banco Central traria modificações na condução da política monetária e no tom da Ata do Copom se enganou. A Ata do Copom foi bem técnica e dura para justificar o aumento de 1 p.p. na taxa básica de juros. De acordo com o documento divulgado nesta terça-feira (4), a inflação no Brasil ocorre porque a demanda agregada interna (consumo das famílias, investimentos das empresas e gastos do governo) crescem acima da capacidade de oferta (produção). Segundo o Banco Central (Bacen), o crescimento da demanda agregada decorre do aquecimento do mercado de trabalho, crédito subsidiado e política fiscal expansionista.
De uma maneira bem direta, o Bacen reconheceu que a causa da inflação está ligada ao elevado gasto público – seja pela política fiscal, seja pelo crédito subsidiado. Além disso, o Banco Central apontou que a alta do dólar e a piora das expectativas inflacionárias também pesaram para o forte aumento da Selic. Em boa parte, a elevação da moeda norte americana e o aumento das projeções de inflação também derivam do aumento do gasto público.
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Se de um lado a expansão do gasto tem mantido o mercado de trabalho mais aquecido, com o crescimento da atividade econômica acima do esperado, por outro, tem trazido mais inflação. Crescer com pressões inflacionárias não se traduz em crescimento sustentável. Tudo indica que esse processo deverá continuar, até porque o próprio Lula disse que, se depender dele, só teremos ajuste fiscal em 2027.
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