Governo teme que Brexit prejudique exportações do Brasil
O Brexit pode resultar em prejuízos para exportações brasileiras. Essa é a preocupação do governo federal em relação à aprovação do acordo de separação do Reino Unido da União Europeia, no domingo (25). Para resolver a questão, o Executivo quer uma nova negociação sobre as condições de vendas com britânicos e o bloco.
Com o “divórcio” europeu, novas cotas serão oferecidas a estrangeiros. Mas já há pacto pela repartição de volume de carne e açúcar nacionais entre os dois lados do velho continente. Hoje, para bens brasileiros, essas cotas levam em conta a dimensão e o consumo de todo o mercado europeu, inclusive o britânico, que passará a ser desconsiderado.
Apesar da previsão de partilhas de carne e açúcar, exportadores do Brasil afirmam que a solução “não é tão simples” e que, pelo acordo aprovado no domingo, empresas nacionais poderão “sair perdendo”. Para o governo, o que está sendo oferecido representa, de fato, uma perda de espaço para as exportações agrícolas.
A alegação é de que não basta apenas separar cotas entre os diferentes mercados. Segundo exportadores, essas definições estão atualmente baseadas no fato de que, se um carregamento de carnes chegar a qualquer porto europeu, esse produto chegará à terra de Elizabeth II sem maiores custos. Com o Brexit, o recebimento será separado. E o custo também.
Valores
O Brasil exporta US$ 2,4 bilhões – mais de R$ 9 bilhões – ao ano especificamente para o Reino Unido. No total, as relações comerciais com a União Europeia movimentaram US$ 33,9 bilhões entre janeiro e outubro deste ano. Em reais, algo em torno de 130 bilhões.
Desafio
Outro desafio – ou problema – identificado com o Brexit é que parte das cotas que hoje são preenchidas pelo Brasil poderiam ser transferidas a outros parceiros comerciais ou mesmo tomada por produtores ingleses. Nem o bloco, nem o Reino Unido explicaram como será equacionado o fluxo de US$ 800 bilhões entre o mercado britânico e os 27 membros da UE.
Como resultado, o Ministério das Relações Exteriores fez uma queira formal para os dois lados envolvidos. O Itamaraty solicita uma renegociação de cada uma das cotas de exportação. O prazo para resposta é 17 de janeiro, mas o governo pretende fazer pressão e já começou a reclamar há 10 dias, em reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC).
“Pedimos à UE ouvir nossas preocupações e trazer para a mesa uma base justa, transparente e equilibrada, assegurando aos membros exportadores que não terminem em uma situação negativa como resultado dessas negociações”, declarou o embaixador do Brasil na OMC, Alexandre Parola. Cerca de 140 cotas e 365 linhas tarifárias seriam afetadas com o Brexit.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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