Petrobras diz que tem ‘sensibilidade’ com impacto dos combustíveis e que não pode adiantar reajustes
Em meio aos recorrentes ataques após o mega-aumento nos combustíveis na semana passada, a Petrobras divulgou nota nesta sexta-feira, 18, para justificar as mudanças e forçar a sua política de preços. A estatal afirmou que “tem sensibilidade quanto aos impactos na sociedade”, e que acompanha constantemente as variações do mercado internacional “nesse momento desafiador e de alta volatilidade”. A petroleira anunciou na quinta-feira passada, 10, o aumento dos preços na refinaria para a gasolina (18,8%), diesel (24,9%) e gás de cozinha (16,1%). A empresa afirmou que os reajustes foram causados pelo encarecimento do barril de petróleo em meio ao conflito no Leste Europeu. “Em um primeiro momento, apesar da disparada dos preços internacionais, a Petrobras, ao avaliar a conjuntura de mercado e preços conforme governança estabelecida, decidiu não repassar de imediato a volatilidade, realizando um monitoramento diário dos preços de petróleo”, informou.
A Petrobras voltou a ressaltar que este foi o primeiro reajuste na gasolina e no diesel em 57 dias, e que o gás de cozinha não sofria aumentos há 152 dias. A demora para a mudança dos preços originou críticas de importadores de combustíveis e acendeu o alerta de possível desabastecimento nos postos brasileiros, principalmente na região Norte e Nordeste. Na nota, a estatal indicou que ainda mantém um grau de defasagem em comparação com o mercado internacional. “Os valores aplicados naquele momento, apesar de relevantes, refletiam somente parte da elevação dos patamares internacionais de preços de petróleo, que foram fortemente impactados pela oferta limitada frente a demanda mundial por energia”. Para analistas, esta diferença, que chega em torno de 20%, sempre foi aplicada pela entidade.
O preço do barril de petróleo tipo Brent — usado como referência pela Petrobras —, voltou a ficar abaixo de US$ 100 nesta semana em reflexo ao temor de desaceleração da economia da China pelo surgimento de novos surtos de Covid-19. A cotação chegou a cair 30% após atingir o pico de US$ 139 no início da semana passada. O barril voltou a subir na quinta-feira, 17, e nesta manhã era negociado na casa de US$ 107. “Seguimos em ambiente de muita incerteza, com aumento na demanda por combustíveis no mundo, num momento em que os desdobramentos da guerra entre Rússia e Ucrânia impactam a oferta, gerando uma competição no mundo pelo fornecimento de produtos, o que reforça a importância de que os preços no Brasil permaneçam alinhados ao mercado global para assegurar a normalidade do abastecimento e mitigar riscos de falta de produto”, informou a estatal.
A Petrobras se tornou alvo constante de críticas após os reajustes. O presidente Jair Bolsonaro (PL) recorrentemente cobra a estatal por mudanças na política de preços. Os ataques também partem do Congresso. O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), disse que os reajustes foram um “tapa na cara da sociedade”, enquanto o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), pediu “sensibilidade social”. Apesar das críticas, o presidente da estatal, Joaquim Silva e Luna, afirma que se manterá no cargo e que não vai “abandonar sua tropa” em meio à “batalha sobre preço de combustíveis”.
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