Juninho não poupa Neymar em entrevista: ‘Como pessoa, ele é culpado e precisa crescer’
Atual diretor esportivo do Lyon, Juninho Pernambucano desabafou e não poupou Neymar de críticas em entrevista ao jornal inglês The Guardian. Questionado sobre a cultura do jogador brasileiro, o ex-meio-campista esbanjou sinceridade e citou o craque do PSG como retrato de uma sociedade gananciosa. “No Brasil, somos ensinados a cuidar apenas de dinheiro, mas, na Europa, eles têm uma mentalidade diferente. Inconscientemente, fiz um plano de carreira porque queria ir para outro grande clube do Brasil, e não apenas jogar por esporte. Fui ensinado a procurar quem me pagaria mais. Esse é o jeito brasileiro”, iniciou o ex-jogador. “Olhe para Neymar. Ele se mudou para o PSG apenas por causa de dinheiro. O PSG deu tudo a ele, tudo o que ele queria, e agora ele quer sair antes do fim do contrato. Mas agora é a hora de retribuir, de demonstrar gratidão. É uma troca. Neymar precisa dar tudo o que pode em campo, para mostrar total dedicação, responsabilidade e liderança”, acrescentou.
Foi a partir daí, então, que Juninho aprofundou as críticas sobre o principal futebolista brasileiro do momento. Segundo ele, é necessário separar o “Neymar jogador” do “Neymar pessoa”. Como jogador, no entendimento do diretor do Lyon, o brasileiro é um dos melhores do mundo. Como pessoa, porém, o atacante tem culpa pelo comportamento controverso que apresenta porque, apesar de ser um produto do meio, “precisa se questionar e crescer”. “O problema é que no Brasil há uma cultura de ganância e sempre se quer mais dinheiro. Foi isso que fomos ensinados e o que aprendemos. É simplesmente o que ele aprendeu. Preciso diferenciar Neymar como jogador e Neymar como pessoa. Como jogador, ele está entre os três primeiros do mundo, no mesmo nível de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi. Ele é rápido, forte, pode fazer gols e dar assistências como um verdadeiro número 10. Mas, como pessoa, acho que ele é culpado porque precisa se questionar e crescer. No momento, porém, ele está apenas fazendo o que a vida lhe ensinou a fazer”, avaliou.
Críticas a Bolsonaro
Na mesma entrevista, Juninho Pernambucano também falou sobre política. O ex-jogador criticou o que chamou de falta de empatia da elite brasileira no trato da desigualdade e revelou que parou de falar com “80% ou 90%” da família e amigos pelo fato de eles terem apoiado o presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2018. “Bolsonaro é um filhote do WhatsApp e das fake news. As pessoas que apoiavam Bolsonaro eram maioria e foi minha decisão me afastar delas”, disse, para depois analisar a questão social no País. “O establishment no Brasil não tem empatia e quer que nós não tenhamos também. A elite não entende o tamanho das desigualdades financeiras no País que, se aumentarem, causarão violência. Estamos assistindo isso se desenrolar agora”, finalizou.
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