Bolivianos tentam retomar normalidade; oposição quer eleger governo de transição
Os bolivianos tentam, nesta terça-feira (12), voltar à normalidade após mais uma noite de tensão pela ação de grupos violentos. Enquanto isso, a oposição busca reunir a Assembleia Legislativa para dar andamento à eleição de um presidente de transição e à convocação de novas eleições gerais.
A Bolívia vive um vácuo de poder desde domingo (10), quando – após mais de 13 anos no poder – Evo Morales renunciou ao cargo em meio aos protestos iniciados depois das eleições de 20 de outubro, que foram classificadas como fraudulentas. O ex-presidente viajou ao México, que concedeu a ele asilo político.
Na manhã desta terça, La Paz parecia uma cidade sitiada. As patrulhas do Exército nas ruas evitaram ataques de grupos violentos, que na noite anterior atearam fogo em uma unidade policial e saquearam propriedades privadas e comércios.
‘Noite de medo’
Centenas de bolivianos amanheceram nas ruas em meio a barricadas improvisadas para se proteger e de fogueiras para se aquecer. “Foi uma noite de medo. Não pude dormir, fiquei rezando”, disse Yorka López, uma dona de casa que saiu cedo para distribuir café a seus vizinhos nas ruas, a maioria jovens.
O transporte público estava mais escasso em razão da presença de barricadas improvisadas. O gabinete da força anticrime na cidade vizinha de El Alto, bastião do ex-presidente, foi saqueado e queimado.
Confrontos com opositores
Em Cochabamba, no centro do país, seis viaturas policiais foram incendiadas durante os ataques. Houve confrontos com opositores.
“A polícia se excedeu”, disse o comandante geral da polícia, Yuri Calderón. “Numa situação como a que vive a Bolívia, o Exército tem a obrigação legal de ajudar a restabelecer a ordem pública.”
“Vamos ajudar a controlar esses grupos de vândalos violentos que estão semeando o terror na população”, afirmou na véspera o chefe das Forças Armadas, William Kalimán.
Impasse político
O clima de tensão no país impede que a Assembleia Legislativa se reúna para eleger o sucessor de Morales, que deverá convocar novas eleições. O partido do ex-presidente, o Movimento ao Socialismo (MAS), tem maioria tanto na Câmara dos Deputados como no Senado, mas todas as autoridades legislativas renunciaram.
A senadora opositora Jeanine Añez, que assumiu interinamente a presidência do Senado na segunda-feira (11) após a renúncia de sua predecessora, se transformou uma possível sucessora de Evo ao ocupar o cargo legislativo mais alto depois da renúncia do vice-presidente, Álvaro García, que também era presidente da Assembleia.
Para chegar à presidência, Jeanine precisa ser eleita pela maioria das duas Câmaras.
*Com Estadão Conteúdo
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