Em meio a protestos violentos, premiê do Iraque anuncia renúncia
O primeiro-ministro do Iraque, Adil Abdul-Mahdi, anunciou, nesta sexta-feira (29), que apresentará sua renúncia ao Parlamento. A decisão foi tomada no dia seguinte a novos episódios de protestos violentos no país, que estão prestes a entrar em seu segundo mês.
“Vou apresentar ao querido Parlamento uma carta oficial solicitando minha demissão da presidência do atual governo para que a Câmara possa reconsiderar suas decisões”, anunciou Abdul-Mahdi, em comunicado divulgado pela sua assessoria de imprensa.
Na nota, ele afirma que tomou a decisão depois de ouvir o discurso da mais alta autoridade religiosa xiita do Iraque, aiatolá Ali al-Sistani, que convidou parlamentares iraquianos a reconsiderar seu apoio ao governo, considerado por ele “incompetente”.
Abdul-Mahdi também se referiu ao discurso à nação feito no último dia 31 de outubro, pelo presidente Barham Salih, onde ele assegurou que o primeiro-ministro apresentaria sua renúncia se as forças políticas chegassem a um acordo e propusessem uma substituição.
No entanto, o premiê afirmou em várias ocasiões que ainda estava disposto a apresentar sua renúncia, mas alertou que essa opção causaria muitos problemas para o país.
O anúncio de Abdul-Mahdi ocorre após um dos dias de protestos mais violentos do sul do Iraque, que resultou em pelo menos 30 mortes em Nassíria e oito no sul de Najaf, e depois que os manifestantes invadiram o consulado iraniano localizado naquela cidade na noite de quarta-feira.
Por outro lado, em dois comunicados divulgados separadamente, o ex-primeiro ministro e líder da coalizão Al Nasr, Haider al-Abadi, e o clérigo xiita e líder da coalizão Sairun, Moqtada al-Sadr, solicitaram ao Parlamento iraquiano que realize amanhã uma sessão especial para propor uma moção de censura.
*Com informações informações da Agência EFE
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