Feminista, futura primeira-dama do Chile diz que vai ‘reformular’ cargo no país
Namorada do presidente eleito do Chile, Gabriel Boric, Irina Karamanos confirmou nesta terça-feira, 18, que vai tomar posse como primeira-dama no dia 11 de março, mas disse que vai “reformular” o posto. “Reformular significa adaptá-lo aos tempos, dando-lhe um toque mais contemporâneo e despersonalizá-lo. E isso significa mudar a relação com o poder e a relação entre poder e mulheres na política”, argumentou Karamanos. A futura primeira-dama reconheceu o “trabalho importante” realizado por suas antecessoras, mas alegou que é necessário falar sobre outras questões como “jovens trans” ou “crianças migrantes”. “Coloco-me à disposição deste projeto para trabalhar em benefício do Chile e de sua diversidade, com um papel menos caridoso, mas mais articulado e diplomático”, acrescentou, em conversa com jornalistas do lado de fora do escritório de trabalho do presidente eleito. Feminista e militante da Frente Ampla, um dos dois partidos que formaram a aliança pela qual Boric venceu a eleição presidencial, Karamanos havia mostrado relutância em assumir o posto de primeira-dama.
A antropóloga e cientista política, de 32 anos, foi fundamental na coleta de assinaturas para lançar a candidatura de Boric à presidência e teve um papel fundamental na reta final da campanha eleitoral. Com apenas 35 anos de idade e mais de 4,6 milhões de votos, Boric tornou-se o mais jovem e mais votado presidente eleito da história do Chile em 19 de dezembro, quando derrotou o candidato de extrema-direita José Antonio Kast em segundo turno. Defensor do processo constituinte no qual o país está imerso e crítico ferrenho do modelo neoliberal instaurado durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), Boric quer expandir o papel do Estado em direção a um modelo de bem-estar social semelhante ao da Europa. “O mais importante será contribuir para as transformações que este projeto governamental está propondo, e no marco disso certamente estaremos muito em campo e fazendo muito trabalho, falando com todos os agentes”, afirmou Karamanos.
*Com informações da EFE
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