Petróleo dispara e beira US$ 100 após retomada de confrontos entre Israel e Irã
A retomada dos ataques diretos entre Israel e Irã nesta segunda-feira (8) provocou um choque imediato no mercado global de energia. O preço do petróleo Brent saltou 5%, aproximando-se da barreira de US$ 100 o barril, impulsionado pelo temor de que a escalada militar interrompa o fluxo de hidrocarbonetos em rotas vitais e atinja infraestruturas de produção.
O mercado reagiu com apreensão após a Guarda Revolucionária Iraniana confirmar que atingiu um complexo petroquímico em Haifa, no norte de Israel. Simultaneamente, investidores monitoram o risco de bloqueios no Estreito de Ormuz — passagem essencial sob influência iraniana — e as ameaças dos rebeldes houthis, que proibiram a navegação de navios israelenses pelo Mar Vermelho, comprometendo outra rota estratégica.
A disparada nos preços ocorre apesar da pressão pública exercida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Israel e Irã devem parar de atirar imediatamente”, escreveu Trump em sua rede social, Truth Social. O apelo, no entanto, foi ignorado: Israel reivindicou novos ataques contra sistemas de defesa e alvos petroquímicos iranianos nesta segunda, em resposta a uma salva de mísseis disparada por Teerã no domingo (7).
Impacto nos mercados
Além da alta do petróleo, as bolsas de valores mundiais registraram quedas acentuadas nesta segunda-feira. A instabilidade política e o colapso das recentes tentativas diplomáticas de estabilizar o Oriente Médio geraram uma onda de aversão ao risco.
A situação é agravada pela crise interna nos países envolvidos. No Irã, a inflação crescente já corrói o poder de compra da população. “Abrimos mão de tudo: primeiro o lazer, depois as compras e agora até as refeições”, relatou a personal trainer Elaheh, de 32 anos, à AFP.
Embora Teerã tenha indicado que consultas mediadas pelo Paquistão continuam, o setor de energia permanece em alerta máximo. Analistas alertam que a permanência do conflito pode consolidar o petróleo acima dos três dígitos, pressionando a inflação global e dificultando os esforços de mediação liderados por potências como os EUA, China e União Europeia.
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