Alerta sobre transmissão pelo ar do coronavírus evidencia importância do uso de máscaras
A Organização Mundial da Saúde informou, nesta segunda-feira, que está revisando o conteúdo de uma carta assinada por centenas de cientistas, pedindo que a entidade reconheça a transmissão pelo ar do coronavírus. Até então, o órgão afirma que a disseminação da covid-19 ocorre principalmente através de gotículas respiratórias maiores, como em tosses e espirros, e que rapidamente caem no chão.
No documento enviado à OMS, publicado pelo jornal The New York Times, 239 cientistas de 32 países alertaram que partículas menores suspensas no ar podem infectar as pessoas. Segundo os especialistas, o risco é maior em ambientes fechados.
Os pesquisadores ressaltam que as medidas atuais recomendadas pela OMS, como a lavagem das mãos e o distanciamento social, não são suficientes no combate ao coronavírus, e pedem a adoção de novas recomendações. Eles citam como exemplos escolas e empresas, que deveriam investir em bons sistemas de ventilação e filtros de ar poderosos para retomar as atividades. Luzes ultravioletas para matar partículas virais flutuando em pequenas gotículas nesses espaços também poderiam ser utilizadas.
A médica infectologista da subcomissão de controle de infecção hospitalar do hospital das clínicas, Thais Guimarães, entende que a conclusão dos pesquisadores reforça ainda mais a importância do uso de máscaras.
Um estudo anterior, desenvolvido pela vigilância epidemiológica chinesa, também já demonstrou a possibilidade de transmissão do vírus através de partículas ainda menores, que ficam suspensas por horas no ar. No mais recente comunicado sobre o coronavírus publicado pela OMS, o órgão insiste que os estudos feitos na China não evidenciaram esse tipo de transmissão. Para o médico infectologista, Renato Kfouri, mesmo que possa acontecer, o contágio pelo ar é eventual.
Nesta segunda-feira, o Brasil ultrapassou a marca de 65 mil mortos por complicações da covid-19. Ao todo, mais de 1,6 milhão de brasileiros já foram infectados pelo coronavírus. Segundo o Ministério da Saúde, pelo menos 900 mil pessoas estão curadas da doença.
*Com informações da repórter Letícia Santini
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