Governo de São Paulo enfrenta resistência na Alesp com projeto de desestatização
A gestão de João Doria tem enfrentado dificuldade para emplacar o projeto de fusões e extinção das estatais paulistas na pauta da Assembleia Legislativa. Deputados do PT, PSB, PTB e PSL têm feito uma movimentação para obstruir a discussão do projeto até que o governo apresente mudanças no texto proposto.
Na última terça-feira (17), o presidente da Casa, Cauê Macris, do PSDB, colocou a proposta em pauta nas sessões extraordinárias para acelerar as discussões, mesmo com a discordância da maioria dos líderes dos partidos.
Em resposta, a maior parte dos deputados deixou o plenário, inviabilizando a discussão por falta de quórum. Segundo os parlamentares, a liderança do governo na Alesp e o PSDB tentam levar o projeto para votação sem apresentar modificações.
A deputada Janaína Paschoal, do PSL, afirma que a liderança do governo apenas mencionou a intenção de apresentar emendas, mas nada foi formalizado ou esclarecido até agora. “Quem vai prestar o serviço dessas empresas? Se estiver escrito, o governo estará se comprometendo. E depois se contratam uma empresa a preço de ouro?”, questionou.
O líder do PSB na assembleia, deputado Vinicius Camarinha, destaca que emendas não são suficientes e que a legenda está solicitando à liderança do governo que o executivo envie um novo projeto, explicando separadamente o que será feito com cada uma das seis empresas. “A emenda aglutinativa seria produzida pela própria Assembleia dentro daquilo que já existe e ainda deixa dúvida”, comentou.
Para o deputado Paulo Fiorilo, do PT, o governo atualmente tem uma base enfraquecida pela falta de diálogo em torno do assunto. “O governo fez apenas uma audiência pública desse projeto, sem mandar pessoas que formularam o projeto para discutir. Nós queremos aprofundar o debate”, afirmou.
O líder do governo, deputado Carlão Pignatari, do PSDB, afirma que a intenção de apresentar uma emenda aglutinativa ao projeto se mantém e que o documento está sendo preparado junto a outras bancadas, para ser apresentado no início da semana que vem. “Nós temos a prerrogativa de fazer alterações, não tem motivo para governo enviar outro projeto”, justificou.
Pignatari disse ainda que a emenda contemplaria a extinção da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (EMPLASA), Companhia de Desenvolvimento Agrícola de São Paulo (CODASP), Companhia Paulista de Obras e Serviços (CPOS) e da DERSA.
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