Deputados incentivam candidatura avulsa para disputa contra Bia Kicis na CCJ da Câmara
A possível indicação da deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) para a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados repercute no Congresso desde a noite de terça-feira, 2. Uma das mais aguerridas defensoras do presidente Jair Bolsonaro no Legislativo, a parlamentar enfrenta resistência em razão de seus posicionamentos sobre a pandemia do novo coronavírus e pelas críticas proferidas contra o Supremo Tribunal Federal (STF) – no ano passado, ela chamou o decano da Corte, ministro Celso de Mello, de “juiz de merda”. Para minar sua candidatura, parlamentares de diversas siglas têm procurado o deputado Lafayette Andrada (Republicanos-MG), a fim de convencê-lo a disputar o comando da comissão mais importante da Casa de maneira avulsa.
A indicação de Bia Kicis faz parte de um acordo costurado para “pacificar o PSL”. Presidente nacional do partido, o deputado federal Luciano Bivar (PSL-PE), rompido com os bolsonaristas da bancada desde a saída de Bolsonaro da sigla, foi eleito 1º Secretário da Câmara. Em troca, os aliados do presidente da República ficaram com a prerrogativa de indicar um nome para a CCJ. O nome, porém, surpreendeu, inclusive, aliados do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). “Tudo o que a Câmara não precisa agora é de confusão”, disse à Jovem Pan um correligionário, sob a condição de anonimato.
Procurado, o deputado Lafayette Andrada confirmou a sondagem feita pelos deputados. “Procede, sim. Estou sendo procurado por deputados de diversos partidos, por membros da CCJ. A nossa Bíblia é o regimento interno e ele permite a candidatura avulsa. Mas eu estou avaliando, não há nada decidido ainda. Eu tenho uma personalidade muito serena, não sou de tomar decisões com o fígado. Estou ouvindo mais do que falando”, afirmou à Jovem Pan. Andrada é o 2º vice-presidente da comissão. Apesar da resistência ao nome de Bia Kicis, a indicação da deputada foi referendada pela bancada do PSL na tarde desta quarta-feira, 3. Para assumir o posto, a escolha precisa ser aprovada pela maioria dos demais integrantes da CCJ.
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