Sob vigilância reforçada, brasileiro que tentou matar Kirchner não quer ajuda
O movimento foi mais tranquilo neste sábado, 3, na porta da casa da vice-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, em Buenos Aires. Em menor número, apoiadores colocavam cartazes e deixavam mensagens de apoio. Alguns apenas tiravam fotos ou depositavam velas, dois dias após o atentado frustrado contra a política de esquerda. Relatos feitos à imprensa argentina indicam que o brasileiro Fernando Andres Sabag Montiel, preso após tentar matar Cristina Kirchner, passa o tempo isolado, monitorado com câmeras e vigiado por dois guardas. Ao jornal La Nacion, uma fonte de polícia relatou que o brasileiro estaria em choque e muito confuso. A mesma fonte informou que Montiel teria dito a autoridades que não queria pedir ajuda a ninguém. A hipótese de que ele teria agido sozinho ganha força entre os serviços de inteligência e também dentro do governo de Alberto Fernández. Mas investigadores buscam contatos nas redes sociais que possam indicar que o brasileiro teria tido cúmplices no ataque. As investigações já somam 2 mil páginas, com depoimentos incluindo o da própria Cristina. Os peritos já sabem que a arma usada no crime pertencia originalmente a um ex-vizinho do acusado que morreu há dois anos. Eles tentam entender agora porque o disparo falhou já que a pistola estava apta para tirar e havia sido recentemente. Após intensas negociações, o congresso argentino aprovou, neste sábado, 3, uma resolução de consenso repudiando o atentado a Cristina Kirchner. Setores da oposição, principalmente o partido do ex-presidente Maurício Macri, se negaram a apoiar uma primeira versão do texto e chegaram a ameaçar com o boicote da sessão especial. Um acordo permitiu que a proposta fosse adiante, mas não evitou que parlamentares contrários ao governo deFernandez abandonassem o plenário, evidenciando o clima de divisão dentro da política do país diante da reação da Casa Rosada ao episódio.
*Com informações da repórter Camila Yunes
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