Visita de Pompeo não teve ‘caráter eleitoreiro’, diz Mourão; Araújo vai ao Senado
O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, vai depor ao Senado Federal para explicar a ida do secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, à fronteira de Roraima com a Venezuela. O convite foi aprovado pela Comissão de Relações Exteriores da Casa, que fez primeira região semi-presencial desde o início da pandemia. A ida de Ernesto Araújo está marcada para acontecer na quinta-feira às 10h. Por não se tratar de uma convocação ele não seria obrigado a ir, mas o ministro já anunciou que aceitou o convite. A visita do secretário americano foi criticada pela maioria dos membros da comissão, que classificaram o ocorrido como um desrespeito à soberania brasileira. A proposta de votação veio do senador Telmário Mota (PROS). “Na hora da crise, do pico da migração o Estados Unidos não estavam presente. Agora, que resolvemos a questão da pandemia e da migração, que as fronteiras estão fechadas e não está entrando quase ninguém chega, o Pompeo lá, oferece uma migalha de 30 mil dólares”, afirma.
O vice-líder do governo no Senado, Chico Rodrigues, disse não concordar com o tom adotado por Mike Pompeo, mas para ele a postura não foi reforçada pelo governo brasileiro. “Acompanhamos pela imprensa suas palavras que foram duras, mas que em nenhum momento, no meu entender, teve o apoio do governo brasileiro. E que não pode se transformar em um grande conflito diplomático”, disse. Ex-chancelers também criticaram a situação e lembraram do fato dela ter ocorrido período que antecede as eleições americanas. No entanto, para o vice-presidente, general Hamilton Mourão, a visita não teve caráter eleitoral. “Acho que isso é desconhecer os Estados Unidos e até não respeitar o povo americano, como se o povo americano fosse gado, como se fosse ter alguma vantagem nessa questão do Mike Pompeo ir até Roraima. Não vejo anda demais nisso.”
Nessa segunda feira, 21, foi revelado um erro de tradução de uma fala polêmica de Mike Pompeo. Quando o secretário foi questionado se o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, cairia em algum momento a resposta foi traduzida como ” a gente vai tirar essa pessoa e colocar no lugar certo”. No entanto, a tradução correta é “o trabalho será incansável e chegaremos ao lugar certo”.
*Com informações do repórter Levy Guimarães
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