Aliados de Marina acusam Rede de perseguição ao apontarem diferença em repasses
Aliados de Marina Silva têm criticado nos bastidores o repasse feito pela Rede Sustentabilidade à candidatura dela ao Senado em São Paulo e apontam uma perseguição ao grupo da ex-ministra no partido. A distribuição do fundo eleitoral, inclusive, acirrou ainda mais o racha interno na Rede, que vive em disputa jurídica desde o ano passado.
Dados obtidos pela Jovem Pan mostram diferenças nos valores destinados às candidaturas da legenda em diversos estados. Marina, por exemplo, recebeu R$ 1 milhão do partido, enquanto Luizianne Lins, candidata ao Senado pelo Ceará, recebeu R$ 2,2 milhões.
Candidatos à Câmara dos Deputados também receberam valores superiores ao destinado à ex-ministra. André Janones, de Minas Gerais, recebeu R$ 2,2 milhões. Já Heloísa Helena, que atualmente comanda as ações do partido, recebeu R$ 2,8 milhões para a candidatura a deputada federal.
A campanha de Marina acionou a executiva nacional da Rede para pedir mais recursos. Em documento, a coordenação da candidatura afirma que a ex-ministra está entre as líderes na disputa pela cadeira no Senado e que havia um acordo para um novo repasse.
“Em reunião do Elo Nacional, foi deliberada a constituição de uma reserva de recursos do FEFC destinada a candidaturas competitivas e estratégicas, a serem distribuídas em nova rodada. Considerando tais critérios, entendemos que esta candidatura os atende integralmente, dado o quadro de competitividade demonstrado nas pesquisas que se mostra tão ou mais competitiva que outras candidaturas do partido que já receberam novos repasses”, afirma o documento.
Até o momento, o pedido não foi atendido pela cúpula da legenda. Aliados de Marina acusam a direção da legenda de perseguição e de tentar esvaziar a candidatura dela ao Senado em São Paulo.
A disputa pelo Fundo Eleitoral é mais um capítulo do racha interno que divide a Rede desde o ano passado, quando o grupo de Marina perdeu o comando da legenda. Criada pela própria ex-ministra em 2013, a Rede passou a ser comandada pela ala ligada à deputada federal Heloísa Helena, adversária de Marina nas disputas internas do partido.
Marina chegou a cogitar deixar a legenda, mas permaneceu para disputar o Senado por São Paulo. Outros aliados, porém, deixaram a sigla, como Marina Helou, deputada estadual em São Paulo. Atualmente, a presidência da Rede está com Paulo Lamac, ligado a Heloísa Helena.
Em nota, Lamac afirmou que a campanha de Marina recebeu, até o momento, o maior financiamento da legenda. Segundo o dirigente, os recursos disponíveis superaram R$ 3 milhões. Destacou também que a “prioridade estratégica” da Rede no pleito deste ano são os nomes em disputa à Câmara dos Deputados.
Leia a íntegra da nota de Lamac
“A Rede Sustentabilidade integra, juntamente com o PSOL, a Federação PSOL- Rede. Embora cada partido federado preserve autonomia na gestão e na execução de seus próprios recursos financeiros, a atuação político-eleitoral da Federação se orienta por uma estratégia comum, construída conjuntamente pelas legendas que a compõem”.
“Nesse contexto, é importante considerar que a Rede figura entre os partidos com menor participação no Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC)”.
“No Estado de São Paulo, diante da limitação dos recursos próprios da Rede e da relevância estratégica da candidatura de Marina Silva, o financiamento da campanha foi objeto de diálogo entre dirigentes da Rede, do PSOL e da própria Federação. A construção conjunta permitiu viabilizar aporte de aproximadamente R$ 2,1 milhões à candidatura, em patamar equivalente ao destinado a outra candidatura competitiva da Rede ao Senado Federal, a da deputada Luizianne Lins, no Ceará”.
“A definição da estratégia de financiamento partidária também considerou, entre outros elementos, a competitividade e capacidade de cada candidatura de captar recursos privados e, assim, complementar os recursos provenientes do financiamento público. No caso da candidatura de Marina Silva, essa capacidade de arrecadação permitiu que o volume global de recursos disponíveis para a campanha superasse R$ 3 milhões, constituindo, até o momento, o maior financiamento de campanha entre as candidaturas da Rede no pleito”.
“É igualmente necessário destacar que o Diretório Nacional da Rede reafirmou, em diversas oportunidades, a prioridade estratégica conferida às candidaturas à Câmara dos Deputados. Houve sucessivos apelos às principais lideranças partidárias para que se apresentassem como candidatas e candidatos a deputado federal, tendo em vista a importância da ampliação da bancada na Câmara para a consolidação institucional, política e parlamentar do partido”.
“A Direção Nacional, contudo, democraticamente não impediu a apresentação de candidaturas ao Senado Federal, respeitando as decisões políticas e as postulações construídas nos estados. A existência dessas candidaturas, entretanto, não afastou a estratégia nacional previamente estabelecida de concentração da maior parcela dos recursos do FEFC nas candidaturas consideradas competitivas à Câmara dos Deputados”.
“Essas diretrizes foram formalizadas na Resolução Eleitoral Nacional aprovada pelo Diretório Nacional da Rede, instrumento que estabeleceu os critérios para a aplicação dos recursos no pleito e que foi regularmente encaminhado à Justiça Eleitoral, observados os procedimentos e prazos aplicáveis”.
Paulo Lamac – porta-voz nacional da Rede Sustentabilidade
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