Flávio culpa Lula por tarifaço dos EUA: ‘Cavou o pênalti contra o povo brasileiro’
Em meio ao anúncio dos EUA sobre a aplicação de tarifas aos produtos brasileiros, o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “cavou o pênalti” para o tarifaço. “A gente tentou de todas as formas evitar que essa tarifação chegasse ao Brasil, mas o Lula fez força para isso, cavou o pênalti contra os interesses do povo brasileiro”, disse o senador em uma transmissão ao vivo no Youtube.
O senador também comentou sobre as carnes brasileiras tarifadas em 55% pela China e a retirada do Brasil pela União Europeia da lista de países autorizados a exportar diversos produtos de origem animal para o bloco, anunciada no dia 5 de maio e que deve começar a valer em setembro.
“Estados Unidos, China, União Europeia, nossos principais parceiros comerciais e o Brasil está tendo este tipo de relação com eles. Ou seja, muito pior para a nação brasileira por causa dessa incompetência”, finalizou Flávio.
Tarifa de 25%
Na madrugada desta quinta, os Estados Unidos anunciaram a tarifa adicional de 25% a diversos produtos brasileiros. Entretanto, foram excluídos da lista o etanol, a carne bovina e o café.
A aplicação de sobretaxa foi tomada sob a autoridade da Seção 301. Em conversa por telefone com jornalistas, o chefe do USTR, Jamierson Greer, disse que a investigação concluiu que o Brasil adotou uma série de medidas consideradas injustas aos interesses norte-americanos.
Entre os principais problemas indicados pelos Estados Unidos estão:
- Ordens judiciais sigilosas que obrigaram empresas de tecnologia norte-americanas a remover conteúdos políticos, inclusive de um presidente;
- Multas diárias elevadas e ameaças de interrupção total das operações das plataformas no Brasil;
- Favorecimento ao sistema Pix, tratado como “campeão nacional” do Banco Central, gerando desvantagem competitiva para empresas norte-americanas de pagamentos;
- Concessão de tarifas preferenciais para Índia e México, sem reciprocidade aos produtos norte-americanos;
- Falhas no combate à corrupção;
- Impactos do desmatamento ilegal que prejudicam produtores agrícolas dos Estados Unidos.
Greer sinalizou dificuldades nas tratativas com o Brasil. “Estamos tentando há mais de um ano negociar com o governo brasileiro. Fizemos diversas ofertas e apresentamos diversas propostas, mas não obtivemos resposta satisfatória”, declarou.
O chefe do USTR chamou a postura brasileira de “excesso de declaração de intenção”. Segundo Greer, o Brasil se colocou à disposição para discutir todos os temas, mas que, para o governo norte-americano, não representava “uma concessão”.
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